hisham hm

Sexta-feira, 12 de fevereiro

Metrô do Rio, tarde de sexta-feira pós-carnaval. (Pós? O fim de semana está aí pra quem ainda tiver energia.)

Um grupo de quatro rapazes daquele estilo “carioca sarado”, bronzeados, camisetas regatas, óculos escuros, latinha de cerveja na mão, entram no carro. Batendo papo, dando risadas. Mas sem fazer muito escarcéu, como se cientes de que, para muita gente não tão sortuda quanto eles, o carnaval já acabou.

O trem chega na minha parada. Levanto para sair. Enquanto eu chegava na porta, um dos rapazes lê a estampa nas costas da minha camiseta e grita:

— Software livre!

Eu nem me viro, apenas ergo o braço direito com o punho cerrado, aquele antigo gesto de irmandade de tantos grupos de resistência.

Os rapazes não resistem e fazem um pequeno escarcéu soltando gritos de aprovação enquanto eu saio do trem.