hisham hm

Os hábitos do software livre…

Li um post de um amigo no Facebook e deu vontade de editar corrigindo um errinho de português (reflexo de ler a Wikipedia, onde eu posso fazer e faço isso).

Aí pensei que como o texto está no nome dele então não seria legal editar direto, mas sim editar uma cópia e enviar um “pull request” pra ele onde ele pudesse ver as mudanças e aceitá-las, atualizando o próprio post em um click (como acontece no Github, site de compartilhamento de código de software livre onde tenho meus projetos). Infelizmente o Facebook não oferece esse recurso.

Por que o mundo em geral não é mais como o mundo do software livre? A Wikipedia tá aí pra mostrar que, se você der pras pessoas ferramentas para atuar colaborativamente, um número suficiente de pessoas vai usá-las de modo a produzir resultados fantásticos.


Sobre a “nova economia” das empresas da internet

Vi essa imagem no Facebook:

Roteiro comum a todos esses:

  1. consiga uma graninha de de venture capital (seed money)
  2. use esse dinheiro para construir uma infraestrutura (site, aplicativo) para prover um serviço de middle-man para facilitar acesso centralizado a alguma coisa qualquer que esteja distribuída
  3. segundo round de investimento: (Series A round) apresente essa infra aos investidores e levante alguns milhões de venture capital, para sustentar a próxima fase [*]
  4. ofereça o serviço de middle-man gratuitamente à população, dando a eles a coisa com o preço do mercado (ou a prejuízo, vide: dumping), mas com conveniência maior (afinal, centralizado é sempre mais conveniente que distribuído)
  5. com a tendência natural de network effect, o serviço acumula usuários a ponto de “todo mundo estar nele” (network effect)
  6. uma vez que a fase anterior andou suficientemente, a base de usuários (especialmente, do lado dos usuários que provê conteúdo comercialmente à plataforma, os “parceiros”) estará “presa” à sua rede (ie, com esforço investido demais nela para migrar para outra [ex: likes na página da sua empresa no Facebook, pontuação de recomendações no Uber ou Airbnb], vide: vendor lock-in), aí pode “monetizar” em cima deles à vontade, eles não têm pra onde ir.

Resumindo, aparentemente a grande sacada do emprendedorismo moderno é construir um monopólio virtual como atravessador pela internet.

[*] essa fase funciona mais fácil se você estiver na grande San Francisco**
[**] preferencialmente se você já tiver passado pela fase 1 em San Francisco também***
[***] e especialmente se tiver sido por alguma encubadora de lá, tipo YCombinator****
[****] suas chances de entrar na YCombinator aumentam se você vier de alguma universidade tipo MIT ou Caltech


Economia: tudo está ligado

Não existe essa de tentar entender a economia do Brasil sem entender a do mundo.

Depois da crise de 2008, o Primeiro Mundo apertou o cinto e os especuladores jorraram dinheiro nos mercados emergentes, que não aprenderam a lição com os primos ricos e se endividaram loucamente. Mas não consigo olhar essa tabela abaixo e não lembrar dos telejornais lá por 2012 reclamando que o PIB do Brasil não conseguia crescer a ritmo chinês (lembram do papo do “pibinho”?)… Aí a gente olha essa tabela e pensa: “a que custo?”

Achar que “o PT fez isso” é tão ingênuo quanto achar que a onda de privatizações na década de 1990, que foi da Europa à África à América Latina, “foi obra do PSDB”.

A derrubada do preço do petróleo foi uma cartada de mestre pra desestabilizar os BRICS, que foram pegos com as calças na mão por terem entrado na euforia do endividamento fácil (mesmo canto da sereia que atingiu o Primeiro Mundo em 2008). E alguém se surpreende que a Rússia, país mais atingido do grupo agora, resolveu agora mandar a sua força aérea pro Oriente Médio?