🔗 Os hábitos do software livre…
Li um post de um amigo no Facebook e deu vontade de editar corrigindo um errinho de português (reflexo de ler a Wikipedia, onde eu posso fazer e faço isso).
Aí pensei que como o texto está no nome dele então não seria legal editar direto, mas sim editar uma cópia e enviar um “pull request” pra ele onde ele pudesse ver as mudanças e aceitá-las, atualizando o próprio post em um click (como acontece no Github, site de compartilhamento de código de software livre onde tenho meus projetos). Infelizmente o Facebook não oferece esse recurso.
Por que o mundo em geral não é mais como o mundo do software livre? A Wikipedia tá aí pra mostrar que, se você der pras pessoas ferramentas para atuar colaborativamente, um número suficiente de pessoas vai usá-las de modo a produzir resultados fantásticos.
🔗 Sobre a “nova economia” das empresas da internet
Vi essa imagem no Facebook:

Roteiro comum a todos esses:
- consiga uma graninha de de venture capital (seed money)
- use esse dinheiro para construir uma infraestrutura (site, aplicativo) para prover um serviço de middle-man para facilitar acesso centralizado a alguma coisa qualquer que esteja distribuída
- segundo round de investimento: (Series A round) apresente essa infra aos investidores e levante alguns milhões de venture capital, para sustentar a próxima fase [*]
- ofereça o serviço de middle-man gratuitamente à população, dando a eles a coisa com o preço do mercado (ou a prejuízo, vide: dumping), mas com conveniência maior (afinal, centralizado é sempre mais conveniente que distribuído)
- com a tendência natural de network effect, o serviço acumula usuários a ponto de “todo mundo estar nele” (network effect)
- uma vez que a fase anterior andou suficientemente, a base de usuários (especialmente, do lado dos usuários que provê conteúdo comercialmente à plataforma, os “parceiros”) estará “presa” à sua rede (ie, com esforço investido demais nela para migrar para outra [ex: likes na página da sua empresa no Facebook, pontuação de recomendações no Uber ou Airbnb], vide: vendor lock-in), aí pode “monetizar” em cima deles à vontade, eles não têm pra onde ir.
Resumindo, aparentemente a grande sacada do emprendedorismo moderno é construir um monopólio virtual como atravessador pela internet.
[*] essa fase funciona mais fácil se você estiver na grande San Francisco**
[**] preferencialmente se você já tiver passado pela fase 1 em San Francisco também***
[***] e especialmente se tiver sido por alguma encubadora de lá, tipo YCombinator****
[****] suas chances de entrar na YCombinator aumentam se você vier de alguma universidade tipo MIT ou Caltech
🔗 Economia: tudo está ligado
Não existe essa de tentar entender a economia do Brasil sem entender a do mundo.
Depois da crise de 2008, o Primeiro Mundo apertou o cinto e os especuladores jorraram dinheiro nos mercados emergentes, que não aprenderam a lição com os primos ricos e se endividaram loucamente. Mas não consigo olhar essa tabela abaixo e não lembrar dos telejornais lá por 2012 reclamando que o PIB do Brasil não conseguia crescer a ritmo chinês (lembram do papo do “pibinho”?)… Aí a gente olha essa tabela e pensa: “a que custo?”
Achar que “o PT fez isso” é tão ingênuo quanto achar que a onda de privatizações na década de 1990, que foi da Europa à África à América Latina, “foi obra do PSDB”.
A derrubada do preço do petróleo foi uma cartada de mestre pra desestabilizar os BRICS, que foram pegos com as calças na mão por terem entrado na euforia do endividamento fácil (mesmo canto da sereia que atingiu o Primeiro Mundo em 2008). E alguém se surpreende que a Rússia, país mais atingido do grupo agora, resolveu agora mandar a sua força aérea pro Oriente Médio?

🔗 Vídeos em HTML5 no GloboEsporte com Firefox 40 no Linux
Escrevendo aqui para quem estiver com o mesmo problema que eu.
Desde que o GloboEsporte mudou de Flash para HTML5, os vídeos pararam de tocar no Firefox (39 e 40, pelo menos) no Linux. Aqui está como habilitar os recursos para fazer voltar a funcionar:
- Na barra de endereços, digite about:config. Vai aparecer uma lista de configurações.
- Na barra de busca de configurações, digite media.frag. A lista vai filtrar e aparecer opções começando com “media.fragmented”
- Dê duplo-clique nas seguintes opções, para trocá-las de “false” para “true”:
- media.fragmented-mp4.exposed
- media.fragmented-mp4.ffmpeg.enabled
- media.fragmented-mp4.gmp.enabled
- Na barra de busca de configurações, digite media.media. A lista vai filtrar e aparecer opções começando com “media.mediasource”
- Dê duplo-clique nas seguintes opções, para trocá-las de “false” para “true”:
- media.mediasource.enabled
- media.mediasource.webm.enabled
- Pronto!
Encontrei a solução aqui.
🔗 Elegia a Chris Squire

Chegou uma idade na minha vida em que eu parei de cultuar coisas. Tive minha fase adolescente/jovem adulto nerd que sabia tudo sobre Star Wars, acompanhava os Star Trek à medida que saíam, sabia de cor as falas do Anthology dos Beatles e do documentário do Kiss.
Mas foi passando à medida que apesar das obras fantásticas (no mais literal sentido de fantasia), havia sempre por trás os humanos, com seus erros, e os Beatles também eram falíveis, e o George Lucas também faz filmes ruins, e o Kiss também destratou o legado que os fãs botavam num pedestal, e assim por diante. A gente cresce, separa as pessoas da obra, ainda curte as coisas, mas segue adiante, mas sem aquele brilho infantil nos olhos.
Mas teve um herói meu que eu quis que continuasse com aquela imagem maior que a vida.
Quem me conhece há tempo, especialmente musicalmente, sabe a influência que o Yes (official) teve pra mim. Quando lá em 1999 eu mostrei empolgado pro Jorginho o disco “The Ladder”, ele ouviu e disse:
— Bah, não achei aquilo tudo, mas teve uma música que eu achei legal, mas que sinceramente, é porque parece uma música feita por ti.
Era “Finally”, a minha preferida do disco! O Yes fazia as músicas que eu tentava fazer. Estrutura, pegada, complicação como o Rush (que eu conheci primeiro mas era influenciado pelo Yes), e mares de vocais como os Beatles (esses sim, influências do Yes (e minhas)).
O último documentário de banda que eu vi a ponto de decorar as falas na vida foi o “Yesyears”, onde eles contavam as aventuras dos primeiros 25 anos da banda, mais ou menos.
Nele eu vi que o cara que fazia o Yes ser o Yes, ou pelo menos o cara que fazia o Yes ser algo especial pra mim, era o baixista, Chris Squire. O documentário foi a minha introdução à banda, e mostrava vários trechos de músicas. À medida que fui descobrindo a discografia da banda, fui vendo que as músicas que eu tinha curtido mais eram justamente as de autoria dele: “Parallels”, “Onward”… o disco solo dele, “Fish Out Of Water” pra Adriana ouvir. Quando chegou em “You By My Side” (que era justamente a música que eu mais queria que ela ouvisse), ela espontaneamente disse “Ah, Hisham!….” e também disse que me via na música.
Lembranças de andar pelas ruas chuvosas de São Leopoldo com a Adriana recitando trechos do álbum “Drama” nos divertindo com a minha empolgação com a música e com a falta de sentido da letra: “friends make their ways of escape into systems of chance!” Álbum “Drama”, o primeiro sem o vocalista original, disco com a cara do Chris Squire, meu disco preferido do Yes, aquele que em que quando eu tive meu próprio apartamanto, enquadrei o vinil e pendurei na parede da sala.
Nunca vi o Yes ao vivo. Esses tempos (2013?) eles tocaram no Rio. Aqui no Vivo Rio, a 15 minutos de casa. Não fui ver. Não quis. Com mais de 40 anos de carreira, sem vários membros originais, o Yes estava cansado. O Chris Squire estava lá, o set list iria incluir o “Close to the Edge” inteiro, mas há anos eu já havia visto os vídeos no Youtube da banda tocando recentemente e sabia que eles não tocavam mais com aquela gana que me fez adorar a banda. Performances lentas, desanimadas, cada review que eu lia me entristecia.
Se eu fosse lá, não veria aquela banda que eu queria ser, não veria as músicas como as que eu sonhava escrever.
Preferi manter a memória das músicas, e a minha imaginação dos shows fantásticos deles, intocadas.
Hoje recebi a notícia de que o Chris Squire morreu. Mais um levado pelo câncer.
Vai ficar pra sempre pra mim o herói da fantasia. Aquele cara pra quem um baixo Rickenbacker ficava parecendo uma guitarra de tão enorme (que me faz pensar “ele não merece” quando eu vejo um cara qualquer tocando um Rickenbacker). Aquele cara tocando nos anos 70 com aquelas roupas malucas quase de super-herói (quase?). Aquele cara tocando linhas de baixo incríveis com aquele timbre agudo que atravessava a mix, ao mesmo tempo que cantava contrapontos num range que eu apanho pra manter.
Adeus ao herói que eu emulava antes de conhecer, a influência das minhas influências, o cara que escrevia as músicas que eu queria ter escrito, o cara que conseguia realizar as músicas que eu parecia tentar escrever. Vou continuar aqui escrevendo minhas músicas vez que outra, até que um dia quem sabe alguém ouça algo e diga “pô, sério, isso parece Chris Squire.” Aí então eu vou comprar um baixo Rickenbacker.
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