hisham hm

Vídeos em HTML5 no GloboEsporte com Firefox 40 no Linux

Escrevendo aqui para quem estiver com o mesmo problema que eu.

Desde que o GloboEsporte mudou de Flash para HTML5, os vídeos pararam de tocar no Firefox (39 e 40, pelo menos) no Linux. Aqui está como habilitar os recursos para fazer voltar a funcionar:

  1. Na barra de endereços, digite about:config. Vai aparecer uma lista de configurações.
  2. Na barra de busca de configurações, digite media.frag. A lista vai filtrar e aparecer opções começando com “media.fragmented”
  3. Dê duplo-clique nas seguintes opções, para trocá-las de “false” para “true”:
    • media.fragmented-mp4.exposed
    • media.fragmented-mp4.ffmpeg.enabled
    • media.fragmented-mp4.gmp.enabled
  4. Na barra de busca de configurações, digite media.media. A lista vai filtrar e aparecer opções começando com “media.mediasource”
  5. Dê duplo-clique nas seguintes opções, para trocá-las de “false” para “true”:
    • media.mediasource.enabled
    • media.mediasource.webm.enabled
  6. Pronto!

Encontrei a solução aqui.


Elegia a Chris Squire

Chegou uma idade na minha vida em que eu parei de cultuar coisas. Tive minha fase adolescente/jovem adulto nerd que sabia tudo sobre Star Wars, acompanhava os Star Trek à medida que saíam, sabia de cor as falas do Anthology dos Beatles e do documentário do Kiss.

Mas foi passando à medida que apesar das obras fantásticas (no mais literal sentido de fantasia), havia sempre por trás os humanos, com seus erros, e os Beatles também eram falíveis, e o George Lucas também faz filmes ruins, e o Kiss também destratou o legado que os fãs botavam num pedestal, e assim por diante. A gente cresce, separa as pessoas da obra, ainda curte as coisas, mas segue adiante, mas sem aquele brilho infantil nos olhos.

Mas teve um herói meu que eu quis que continuasse com aquela imagem maior que a vida.

Quem me conhece há tempo, especialmente musicalmente, sabe a influência que o Yes (official) teve pra mim. Quando lá em 1999 eu mostrei empolgado pro Jorginho o disco “The Ladder”, ele ouviu e disse:

— Bah, não achei aquilo tudo, mas teve uma música que eu achei legal, mas que sinceramente, é porque parece uma música feita por ti.

Era “Finally”, a minha preferida do disco! O Yes fazia as músicas que eu tentava fazer. Estrutura, pegada, complicação como o Rush (que eu conheci primeiro mas era influenciado pelo Yes), e mares de vocais como os Beatles (esses sim, influências do Yes (e minhas)).

O último documentário de banda que eu vi a ponto de decorar as falas na vida foi o “Yesyears”, onde eles contavam as aventuras dos primeiros 25 anos da banda, mais ou menos.

Nele eu vi que o cara que fazia o Yes ser o Yes, ou pelo menos o cara que fazia o Yes ser algo especial pra mim, era o baixista, Chris Squire. O documentário foi a minha introdução à banda, e mostrava vários trechos de músicas. À medida que fui descobrindo a discografia da banda, fui vendo que as músicas que eu tinha curtido mais eram justamente as de autoria dele: “Parallels”, “Onward”… o disco solo dele, “Fish Out Of Water” pra Adriana ouvir. Quando chegou em “You By My Side” (que era justamente a música que eu mais queria que ela ouvisse), ela espontaneamente disse “Ah, Hisham!….” e também disse que me via na música.

Lembranças de andar pelas ruas chuvosas de São Leopoldo com a Adriana recitando trechos do álbum “Drama” nos divertindo com a minha empolgação com a música e com a falta de sentido da letra: “friends make their ways of escape into systems of chance!” Álbum “Drama”, o primeiro sem o vocalista original, disco com a cara do Chris Squire, meu disco preferido do Yes, aquele que em que quando eu tive meu próprio apartamanto, enquadrei o vinil e pendurei na parede da sala.

Nunca vi o Yes ao vivo. Esses tempos (2013?) eles tocaram no Rio. Aqui no Vivo Rio, a 15 minutos de casa. Não fui ver. Não quis. Com mais de 40 anos de carreira, sem vários membros originais, o Yes estava cansado. O Chris Squire estava lá, o set list iria incluir o “Close to the Edge” inteiro, mas há anos eu já havia visto os vídeos no Youtube da banda tocando recentemente e sabia que eles não tocavam mais com aquela gana que me fez adorar a banda. Performances lentas, desanimadas, cada review que eu lia me entristecia.

Se eu fosse lá, não veria aquela banda que eu queria ser, não veria as músicas como as que eu sonhava escrever.

Preferi manter a memória das músicas, e a minha imaginação dos shows fantásticos deles, intocadas.

Hoje recebi a notícia de que o Chris Squire morreu. Mais um levado pelo câncer.

Vai ficar pra sempre pra mim o herói da fantasia. Aquele cara pra quem um baixo Rickenbacker ficava parecendo uma guitarra de tão enorme (que me faz pensar “ele não merece” quando eu vejo um cara qualquer tocando um Rickenbacker). Aquele cara tocando nos anos 70 com aquelas roupas malucas quase de super-herói (quase?). Aquele cara tocando linhas de baixo incríveis com aquele timbre agudo que atravessava a mix, ao mesmo tempo que cantava contrapontos num range que eu apanho pra manter.

Adeus ao herói que eu emulava antes de conhecer, a influência das minhas influências, o cara que escrevia as músicas que eu queria ter escrito, o cara que conseguia realizar as músicas que eu parecia tentar escrever. Vou continuar aqui escrevendo minhas músicas vez que outra, até que um dia quem sabe alguém ouça algo e diga “pô, sério, isso parece Chris Squire.” Aí então eu vou comprar um baixo Rickenbacker.


Leituras no ônibus

Ônibus lotado, cheio de pessoas nos seus telefones. Me ocorre o pensamento de que hoje se lê mais. Sim, de que o número de palavras por dia que as pessoas leem hoje, se contarmos tudo, Facebook, Whatsapp, deve ser maior do que em outros tempos.

Olho à volta, há uma senhora lendo um jornal, daqueles de papel. Pensei: “bom, talvez ela seja daquelas pessoas que não fez a transição pra vida digital”. O assento ao lado dela libera, eu sento.

Li uma coluna do segundo caderno, como papagaio de pirata. Obrigado jornal pelas letras grandes. Vejo outra pessoa deixando um comentário no Facebook. Se bobear hoje as pessoas escrevem mais também.

A senhora guarda o jornal na bolsa, acabou a leitura dela e a minha também. Pega o telefone. Achei que estava olhando a lista de contatos para fazer uma ligação, mas era o GMail. Uma rápida checada na caixa de entrada e ela volta para a home screen. Entra no Whatsapp. Ela tem um grupo chamado “Colegas do C. São José 1960”. Eu paro de espiá-la e pego meu telefone pra escrever.


Quem não tá entendendo o que tá rolando, só imagine…

Compartilhando o post de Heitor Korndorfer, que eu havia compartilhado no Facebook anteriormente e que desapareceu durante o dia de hoje, aparentemente por causa de um bug no Facebook.

Segue o post do Heitor abaixo:


Quem não tá entendendo o que tá rolando, só imagine:

- Você é professor, se fode pra caralho, e paga há anos uma parte do seu salário para o fundo de previdência estadual.
- Um governador QUEBRA o estado financeiramente. Ele e integrantes de sua família são investigados por corrupção. Jornalistas que investigam o caso são ameaçados de morte. [1]
- Este governador precisa de dinheiro pois não consegue nem colocar combustível nas viaturas da polícia do estado. [2]
- Onde ele vai arranjar dinheiro? Exatamente no fundo que você pagou durante toda a sua vida para a sua previdência. Para efetivar esse roub.. quer dizer, artifício, ele precisa mudar a lei.
- Ele tem a assembleia legislativa aos seus pés, e com trocas políticas garante que os deputados vão aprova-la.
- Você fica puto, pois se essa lei for aprovada, os pagamentos da previdência só ficarão com fundos garantidos até 2021. Ou seja, ele vai usar o dinheiro da SUA aposentadoria para consertar o rombo que ELE MESMO criou, e você poderá ficar a ver navios nessa.
- O que fazer? ÓBVIO, você entra em greve. Aí ele mexe uns pauzinhos para o pessoal do judiciário mandar os professores de volta as aulas e ameaça descontar seu salário.
- Você continua lá, vai lutar pelos seus direitos, não interessa o salário de hoje. Interessa a sua aposentadoria.

- Você volta pra casa assim.

[1] http://oglobo.globo.com/brasil/jornalistas-que-investigam-denuncias-de-corrupcao-pedofilia-sao-ameacados-no-parana-15914287
[2] http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/por-falta-de-pagamento-mais-viaturas-da-pm-ficam-sem-combustivel-4qrkthgxolxxkrjpra04n4t3i

foto: Gabriel Rosa/Secretaria Municipal de Comunicação Social


Sobre a fala dos estrangeiros

A reportagem abaixo me instigou a escrever esse post. Vejam o vídeo.

Em bom portunhol, D’Ale brinca com garrafa: “Se estava cheia, guardava”

A intolerância das pessoas com a fala dos estrangeiros me irrita. Se os repórteres do SporTV acham que o que o D’Alessandro fala é “portunhol”, então eles definitivamente não iam achar que o meu pai, que viveu quase 50 anos no Brasil, falava português.

O D’Alessandro mora no Brasil desde 2008 — acompanhei desde o início quando ele era acanhado para dar entrevistas até os dias de hoje quando ele é o capitão do time e sempre a referência na hora de falar. Eu sempre brinco que no RS os repórteres botam os jogadores de língua espanhola pra falar no rádio e não estão nem aí, e que a gente tem uma adaptação mais natural ao portunhol, mas sinceramente, a essa altura do campeonato chamar o português do cara de “portunhol” ainda, é dose.

Pra piorar, fizeram questão de expor o deslize gramatical dele no título, coisa que eu já cansei de ver corrigirem na transcrição quando entrevistam jogadores falantes nativos de português. E ainda aposto que quem escreveu essa matéria ainda achou que estava elogiando, ao chamar o “portunhol” dele de “bom”.